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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

poesia: anna akhmatova

Vinte e um. Segunda- feira. É noite! 
No escuro uns contornos de cidade. 
Algum vagabundo escreveu 
que na terra pode haver amor. 

E por tédio ou preguiça, 
todos acreditaram e assim vivem: 
esperam encontros, temem adeus 
e cantam canções de amor. 

Mas a outros revela-se o enigma, 
e o silêncio repousará sobre eles... 
Descobri isto por acaso 
e desde esse momento sinto-me mal. 




 Anna Akhmátova foi uma poeta ucraniana do século XIX, que viveu na Rússia e escreveu sobre ela. Sofreu censura durante 20 anos, quando foi tradutora de grandes clássicos da literatura (como livros do Victor Hugo). Morreu em 1966.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

poesia: cecília meireles

Desamparo

Digo-te que podes ficar de olhos fechados sobre o meu peito,
porque uma ondulação maternal de onda eterna
te levará na exata direção do mundo humano.

Mas no equilíbrio do silêncio,
no tempo sem cor e sem número,
pergunta a mim mesmo o lábio do meu pensamento:

quem é que me leva a mim,
que peito nutre a duração desta presença,
que música embala a minha música que te embala,
a que oceano se prende e desprende
a onda da minha vida, em que estás como rosa ou barco...?








Poema de Cecília Meireles, que morreu em 1964, no Rio de Janeiro, onde nasceu. 



sábado, 4 de janeiro de 2014

pitaco #10 - leminski

Livro: Toda Poesia
De quem: Paulo Leminski
Ano: 2013

Vamos às informações: a edição que ganhei de presente foi a 12ª impressão. E vejam a quantidade de marcações.


Os fatos falam por si.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

poesia: ana cristina césar

Um beijo

que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor

(Ana Cristina César)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

pitaco #6 - mario quintana

Livro: 80 anos de Poesia
De quem: Mario Quintana
Ano (1ª reimpressão - Homenagem ao Centenário de Mario): 2006

Pra falar de poesia, sou suspeita. Suspiro, amo e vivo poesia. Concordo em gênero e grau com o grande Leminski, que diz: "O poeta se define, sobretudo, pela capacidade de criar beleza com linguagem".

E Mario Quintana é um grande poeta.

Nascido em 1906, este velhinho simpático tem a cara do avô rabugento que, na mesa do almoço de domingo, depois de perguntar sobre amores, conta a história da vida inteira e deixa os netos com vontade de ser igual.