quarta-feira, 3 de setembro de 2014

por que assistir: orphan black

Nome original: Orphan Black
Ano: 2013-ainda no ar.
Criação/direção/produção:
John Fawcett (dirigiu alguns episódios de Rookie Blue - que eu amo e em breve vem pra cá também), Graeme Manson (dirigiu aquele filme nonsense, mas ~intenso~, "O Cubo")
No IMDb: 8,5/10 estrelas
No coração da Gi: 10/10 estrelas
Elenco pra você prestar atenção: Tatiana Maslany, Dylan Bruce (<3), Tatiana Maslany, Jordan Gavaris (Fílâx ♥), Tatiana Maslany, Tatiana Maslany e a brilhante menininha Skyler Wexler


oi, meu nome é Tatiana e eu sou a maior atriz que já pisou na BBC Canada, prazer!

Orphan Black é uma série de Sci-Fi da BBC Canada, iniciada em 2013.

Conta a história a partir do olhar de uma mulher: jovem, forte e nada tolerante, Sarah Manning inicia o piloto da série presenciando um suicídio.

Morri, mas pelo menos penteio o cabelo, mozão
Se ver uma pessoa se jogar na frente de um trem não é traumático o suficiente, imagine como você se sentiria se essa pessoa fosse exatamente igual a você.

Don't mess with my hair, bitch
Notando isso, Sarah, muito malandra, rouba a carteira da Beth e vai até a casa dela: muito bem mobiliada, com geladeira cheia e um namorado que só volta no fim da semana.

Antes de poder dar o golpe na poupança de sua Twin Sister, Sarah nota coisas estranhas na rotina dela: dois celulares, ligações e mensagens suspeitas o tempo todo, compromissos inadiáveis, cobranças, julgamentos por má conduta etc. O pensamento é mais ou menos o seguinte: "opa! A Sis Beth não é tão santinha quanto a gente imaginava..."

MAS (sempre tem um), ainda no piloto (zero spoilers, prometo), Srta. Manning descobre que existem mais twins por aí. Um monte. Uma alemã. Uma dona de casa do subúrbio. Uma geek de cabelo daora. Iguaizinhas a Sis Beth e, consequentemente, iguaizinhas a ela.

da esquerda pra direita: Katja (Tatiana Maslany); Helena (Tatiana Maslany); Alison (Tatiana Maslany); Sarah (Tatiana Maslany); Rachel (Tatiana Maslany); Cosima (Tatiana Maslany); Jennifer (Tatiana Maslany)


Como lidar? Quem são? De onde vieram? O QUE são? Quem tá escondendo o que? Por quem foram criadas? Por que foram criadas?

Essas perguntas não são respondidas (sorry not sorry), mas somadas à mais um bocado a medida que os episódios vão passando e grudando cada vez mais na sua cabeça.

Sarah usa o disfarce de Beth Childs pra tentar saber um pouco mais dessa irmandade toda, enquanto pega o namolindo da Sis.


A série tem de tudo. Tem ~muito~ drama (bem colocado e nada exagerado);

tem comédia (Fílâx ♥);

Beetch, please!
tem nerdisse da Cosima;



e tem Clone Club (essa cena <3)


Vejam o trailer e  SE JOGUEM NO CLONE CLUB. ♥





(Duas últimas razões porque você deveria ver:

1_ tem no netflix (<3)















2_ e tem o Cal na segunda temporada)


segunda-feira, 16 de junho de 2014

pitaco #24 - eliane brum

Nome: Uma, Duas
Ano: 2011
De quem: Eliane Brum

Se hoje sou aspirante a jornalista, devo isso a Eliane Brum. A uma professora do ensino médio, a alguns amigos que sempre me disseram a correlação que minha personalidade e a profissão têm, a algumas matérias soltas, mas, sobretudo, Eliane Brum.

a foto é da Ju Gervason, d'O Batom de Clarice


Conheci Eliane lendo Época. Conheci Eliane relatando fatos, sendo sóbria, justa e fatídica. Eliane de "A menina quebrada" e outras colunas. Entretanto...

segunda-feira, 31 de março de 2014

a flor de maio, rubem braga

Transcrição de uma crônica que está no livro "Para Gostar de Ler - Volume 2"

A Flor de Maio

Entre tantas notícias do jornal - o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés - há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.
Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d’água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.
Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar. Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol - ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.
Suspiro e digo comigo mesmo - que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi - um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".
No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém - uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-de-maio" - talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.
Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.




Rubem Braga morreu em 1990 em terras cariocas. Original do ES, foi um dos cronistas mais bem quistos da literatura brasileira. 


sexta-feira, 28 de março de 2014

pitaco #23 - fernanda young

ou Sobre O Livro que Prova que Ana Cristina Cesar Estava Certa Quando Disse Que Arte É Tudo Aquilo O Que Nos Tira Da Inércia.

Nome: Tudo que você não soube (ou O Livro Mais Triste do Mundo)
Ano: 2007
De quem: Fernanda Young

A lucidez é uma loucura. Quando você consegue olhar pra sua vida e enxergar onde você estava certo, onde podia ter feito outra coisa; quando você consegue olhar pro seu presente e falar o que precisa ser feito pra que as coisas deem certo; quando você sabe como magoar alguém e o faz porque esse alguém merece: esse tipo de lucidez enlouquece.


E a escritora do livro que está escrito em "Tudo que você não soube" é tão lúcida quanto somos todos. Mas a sua linha entre lucidez e loucura completa se atenua a cada linha.

quarta-feira, 26 de março de 2014

adélia prado, amor em forma de mulher

Na última terça-feira, dia 24 de Março de 2014, a romancista, novelista e poeta Adélia Prado participou do programa Roda Viva, da TV Cultura. A entrevista foi demais. Incrível. E todo mundo devia assistir.

Na banca: Augusto Nunes (o de sempre), Ana Weiss (jornalista cultural da revista IstoÉ), Rosélia Aguiar (biógrafa e jornalista literária), Fabrício Corsaletti (colunista do Folha de SP e poeta - autor do lindíssimo poema "Esquimó"), Paulo Werneck (curador da FLIP e editor da Cosac Naify e da Cia das Letras) e Ubiratã Brasil (jornalista do Estado de SP).

"Não acredito que a tristeza seja o motor da poesia. Uma pessoa não escreve poesia porque é triste, ou porque é alegre. A poesia vem de um outro lugar que inclui tristeza e alegria. Mas essa não é a condição pra escrever nenhuma obra, porque nenhuma obra, ainda que nascida da tristeza, por ser poética - por ser arte -, é bela: e a beleza é alegria pura."




Adélia Prado, sim senhor! God save the queen of brazilian poetry! ;)

segunda-feira, 24 de março de 2014

rory gilmore reading project #4 - on the road

Nome: On The Road - Pé Na Estrada
Ano: 1957
De quem: Jack Kerouac

Em "On The Road", acompanhamos alguns anos na estrada da vida de Sal Paradise (na minha edição, este personagem chama-se Jack Kerouac) e Dean Moriarty (na minha edição, Neal Cassady): dois viajantes eremitas que saem na estrada sem destino, sem objetivo e sem preocupações.



“Se você não sabe pra onde está indo, qualquer estrada vai te levar pra lá."

domingo, 16 de março de 2014

pitaco #22 - clarice lispector

Nome: Perto do Coração Selvagem
Ano: 1943
De quem: Clarice Lispector

Ao citar um livro que li da Clarice, caio na tentação (e acabei de ceder à ela) de não nomeá-la no conjunto nome-sobrenome. Isso, porque "Clarice Lispector" soa não mais como nome da autora, mas como uma nominação para 70% das citações que viajam internet afora.


Apesar disso, a aventura de tentar citá-la, descrevê-la ou explicar o enredo de seus livros é ainda maior do que a tentação de chamá-la apenas de "Clarice". Em "Perto do Coração Selvagem", nos traz pra dentro da mente e da alma de Joana, uma menina que, no início do livro, causa estranhamento por sua mania incomum de cansar de brincar e criar poesias.